Ana Lira
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Enviada: Sex Mar 06, 2009 11:36 pm Assunto: Canoas Colorem o Velho Chico |
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Canoas Colorem o Velho Chico
Corrida das Canoas movimenta a rotina de pescadores e suas famílias na margem alagoana do São Francisco
Texto e Fotos: Ana Lira
Pescadores velejaram por cerca de uma hora e meia para conseguir completar o trajeto da prova.
A Corrida das Canoas de Penedo é uma das várias promovidas pelas cidades ribeirinhas que margeiam o rio São Francisco na fronteira de Alagoas e Sergipe. Elas ocorrem há mais de trinta anos e movimentam as diversas famílias de pescadores locais, que fazem uso da experiência de navegação no rio para obter bons resultados nas categorias de Barco de Pescaria e Barco Fino – como são batizadas as embarcações construídas apenas para participar dos eventos.
Os pescadores contam que se um pai desejar que um filho seja campeão deve colocá-lo para andar de canoa e barco desde cedo. “O menino é quem faz o homem. Se a gente pega um garoto que tem jeito com canoa e ensina como manobrar um barco desse de motor, ele vai longe”, eles dizem, enquanto esperam que as canoas apareçam na região do porto. Elas demoram porque o ponto de partida da corrida foi a Fonte de Aparecida, que fica a alguns quilômetros de Penedo.
A repórter ansiosa quer saber como é essa corrida e eles respondem: “calma, moça! Daqui a pouco a senhora vai ver um monte de velas coloridas no meio do rio e vai saber que eles estão chegando”. Então, os barcos são grandes? Eles contam que antes havia apenas canoas e barcos pequenos, mas que agora as embarcações podem medir mais de 8m. O aparecimento de barcos profissionais ocorreu nos últimos anos, quando os eventos cresceram e trouxeram patrocínios.
Esse processo tem alterado pouco a pouco o visual dos barcos. Se muitos ainda trazem cores escolhidas pelos pescadores ou mestres que os fabricaram e são batizados como “Boto Rosa”, “Frankito”, “Rio Verde” ou “Mister M”, outros aparecem nas competições pintados com as cores e marcas das empresas e entidades que deram patrocínios e apoios culturais. As mudanças se manifestam por causa das premiações que passaram a fazer parte do cotidiano dos eventos no São Francisco. A corrida de Penedo, este ano, por exemplo, premiou do primeiro ao quinto lugar e a categoria de Barco Fino teve campeões em subcategorias de barcos de 8m e 8,5m – que deslizam no rio equilibrados por duas grandes velas.
As transformações ampliaram o circuito, mas também trouxeram conflitos para uma atividade que era considerada de integração e diversão pelos pescadores. Pela ótica de alguns deles, quando as corridas começaram a ser remuneradas e patrocinadas, a vontade de vencer se tornou maior que a de participar. Isso gerou uma série de desavenças entre competidores e até mesmo entre integrantes de uma mesma equipe.
O pescador Tonho Totó, que é da cidade de Neópolis (SE), diz que alguns episódios de discussão entre os competidores acabaram com as equipes virando os barcos no rio para impedir que uma delas completasse a prova. “Isso não devia ser assim nem entre colegas e nem entre o grupo. O que faz uma corrida não é o barco, mas quem está guiando. De nada adianta o barco ser bem feito se os homens não conseguem se entender. Não tem isso de virar o barco por discórdia. Tem que terminar a prova. Se sai com cinco homens tem que chegar no final com os cinco”, disse.
Porém, barco virado nem sempre é sinônimo de conflitos durante o trajeto no rio. Alguns barcos viram também por causa do peso e da força do vento, que dificulta algumas manobras em alta velocidade. Se a equipe não estiver afinada corre o risco de ficar pelo caminho. Nesta corrida vários barcos não completaram o trajeto de cerca de uma hora e quarenta minutos entre a Fonte de Aparecida e o Porto de Penedo, mesmo com o “vento mole”, como chamam os pescadores quando a corrente de ar está mais branda.
No final, os vencedores da categoria Barco de Pesca foram os penedenses Paulo Timóteo e Ledso Santos Fernandes. A cidade teve participação majoritária nesse grupo e os colegas e familiares dos participantes estavam em festa no Porto. Por sua vez, a categoria de Barco Fino de 8m teve como vencedora a equipe Sai de Baixo, do município de Piaçabuçu, que compete a quinze anos nas corridas da região, como informa o líder do grupo, Aildo Nascimento, 34 anos. A categoria de 8,5m ficou com a Plajax, de Neópolis, que completava 15 anos de vitórias sucessivas na Corrida de Penedo. Tonho Totó, um dos fundadores da equipe, não se continha de alegria e gritava para todos na areia que aquele era um grupo “ganha todas”.
Veja álbum da Categoria Pescaria - Clique para ampliar
* Os campeões Ledso Santos e Paulo Timóteo na sexta foto.
* O garoto Renisson posa a pedido do pai na última foto da série.
Veja álbum da Categoria Barco Fino - 8m e 8,5m - Clique para ampliar
* A "ganha todas" Plajax nas fotos três, quatro e cinco.
* Até o jogador português Cristiano Ronaldo é homenageado pelos pescadores penedenses, como mostra a última foto.
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